Quando escrevo sinto a vida asfixiando a morte!



Marluce Freire Nascasbez


Charme? Caráter? Fosse o que fosse, ela tinha isso.


Virginia Woolf



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Aos que continuam vivendo em nossas vidas, mas que a matéria não ocupa o mesmo espaço físico que nós...

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Imagem google

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Quanto sentimento

E nem um para elucidar

Como nos sentimos quando alguém “parte de nós”

E nos deixam em pedaços, sem conseguir refazer sua presença...



Buscamos explicações para justificar o sentimento de ausência,

Mas não a encontramos,

Ficou um vazio!

Esse vazio que ficou desse alguém

É preenchido por um sentimento

Que se sente e não se sabe dar nome...

Dizemos: perdemos, partiu...

Mas nunca se perde alguém que partiu!

Que partiu?

Eles nunca partem, não é mesmo?





Morrer?

Morrer não é assim

Quando se vive,

Quando se ressurge

Em misteriosas ocasiões,

Que te fazem tão presente

Em uma fisionomia tão irmã “à tua”



E não é nada de ti!?...



Deve ser assim que fala o espírito,

Eu estou aqui!

E para não nos assustarmos

Revestes-te de um manto enigmático

Que os pobres olhos humanos

Não conseguem sondar o que está por trás

De cada susto que temos

Em muitas vezes em encontrar-te





Em um gesto,

Em um sorriso,

Em uma birra,

Em um aceno,

Em um olhar,



Que de ti faz lembrar...





Quanto mistério!

Tanto segredo!

Que faz que estejamos tão juntos,

E tão separados!?...



As coisas que possuías

Muito mais te possuem!

Vives em cada pedacinho das coisas que te pertenciam,

Parece que delas mimam um pouco de ti...

E ressurgis em tanta coisa!



Na decência,

Na firmeza,

No espírito de luta,

Na força,

Na música,

Na solidão,

No silêncio

Onde ficaste impregnado...



E estás na beleza ímpar

Que Deus criou,

No perfume de uma flor!



E por mais inatingível

Que seja a explicação

E conclusão

Do que existe

Entre o viver e o morrer

A semente talvez seja uma explicação sutil da vida, viver, morrer!





Marluce Freire Nascasbez






9 comentários:

  1. Os mistérios, Marluce, me fascinam mais...Mas essa frase do seu texto: 'buscamos explicações para justificar os sentimentos de ausência'... Ah, essa frase, foi um soco na alma, coração e sensibilidade!
    Bjs*

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  2. Marluce,

    Cada pedaço do outro se junta em cada pedaço de nós, ora deixando-nos tristes, ora alegres com as lembranças. O tempo cuida de nós!

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  3. Marluce Querida...

    Nas suas palavras... na sua poesia... as dores mais insuportáveis se fazem leves... serenas... quase doce!

    Aprecio como escreves sobre "partidas" e "ausências"! Aprecio seu coração cheio de paz e nobreza!

    Lindo feriado de saudades... linda noite de poesia!

    Deixo beijo
    Com carinho
    Sil
    Sempre aqui

    Grata pela visita!

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  4. àqueles parente e amigos que partiram fica em nós um grande vazio em nossos corações.

    Bj

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  5. Marluce ,

    Belíssimo texto como tudo que você escreve .

    Não vou me aprofundar porq tenho uma imensa perda que ainda mexe demais comigo ...É sempre difícil .


    BjO Imenso e obrigada por seu Carinho
    de sempre ...

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  6. Olá.

    Penso que a morte se divide em duas partes:
    a primeira, quando morre o corpo,
    a segunda, quando morre a lembrança.

    Mas se alguém nos leva em sua vida,
    mesmo após a partida,
    o que era fim novamente renasce...

    Dias de paz para ti.

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  7. Que lindos versos poeta, amei!
    Um grande bjo amiga!
    Gena

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  8. Como espírita não acredito em vida e morte, existem estágios no corpo e no plano espiritual.
    Mas como espírita sofro cada perda de forma terrível, porque a razão não acalma o coração.
    Amiga, esta é a nossa fatalidade, cedo ou tarde teremos a mesma dor, o mesmo vazio.
    disseste o essencial de forma poética e suave.
    lindos versos.
    Beijos

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  9. Marluce,
    Não há ninguém imune à história do Patinho Feio...

    Beijo :)

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