Quando escrevo sinto a vida asfixiando a morte!



Marluce Freire Nascasbez


Charme? Caráter? Fosse o que fosse, ela tinha isso.


Virginia Woolf



sexta-feira, 23 de abril de 2010

E viva Jorge!

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(São Jorge)
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Namorar Santo é pecado!






Vejo a lua olhando lá do céu para mim!

Não se contendo só de olhar lá de cima

Entra pela janela do meu quarto,

Quer me ver mais de perto!

O que será que ela quer?

A lua correndo lá no céu,

Atropelando todas as nuvens!

Que correria!

Era a lua trazendo São Jorge,

Era São Jorge!

São Jorge, não cabendo na lua!

E dominado por meu olhar

Saiu da lua!

E disse lá de cima:

Se eu não morasse na lua,

Eu queria morar contigo!

E de lá acenou para mim

E eu fechei os olhos

E uma lágrima

C

a


i



u!



E vi São Jorge refletido nela
 
 
 
 
 
Poesia publicada no OVERMUNDO, 06/05/2007
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Orações a São Jorge!
http://www.saojorgemartir.com.br/sao_jorge/oracao.php
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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Há sempre um poeta





Há sempre um poeta
Com uma palavra solta do coração
Caída na folha de um papel...
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Há sempre um poeta
Com uma palavra
Escorrendo pelo canto do olho...
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Há sempre um poeta
Com uma palavra embargando a voz
Guardando,
Sufocando dentro do peito:
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Um des(amor),


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Um des(espero),

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Uma lou(cura),

Uma saudade,
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Uma dor,

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Uma flor,

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Um beija-flor,
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Um lenço,


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Um dia de in(certeza)s...
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Um dia por vir...
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Um aceno de cumprimento...  ...de adeus...
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Há sempre um poeta


Que se enverga,

Encolhe-se,

Agiganta-se,

E sai do “bronze”!
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E escreve de suas dores múltiplas,
Um poema!



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Marluce Freire Nascasbez
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domingo, 18 de abril de 2010

Dá saudade(!)...

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Essa flores sâo sempre-viva, mas são conhecidas popularmente por SAUDADE
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Das saudades...


A primeira flor que colhi na vida,
Foi (a) saudade!

Colhida quase em botão,
Para outro...  ...também colhido em botão...


Cobri a morte de saudades,
E morri das mesmas flores...


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Marluce Freire Nascasbez
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sexta-feira, 16 de abril de 2010

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Quando escrevo,
Sinto a vida asfixiado a morte...


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Marluce Freire Nascasbez
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quarta-feira, 14 de abril de 2010

O céu no chão...






Chove e a estrada de chão

Vira céu!


Lá na cerca,

Uma linda flor amarelinha

É o sol!


Um passarinho molhado lambendo o seu dorso,

Sacode seu corpo,

Jogando os respingos d’água em mim,

Lavando-me da sujeira

Do escorregar na lama...


Olhando as nuvens caídas nas poças d'água,
Vi o céu beijando o chão,
Andando nas estradinhas de terra,
Bebendo água do meu sertão!





Marluce Freire Nascasbez

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Chuva no RIO de JANEIRO!


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Na chuva,
Não tenho dúvidas,



     E
            s
                 c




                              o

                                 r
                                             r


                                                             e


                                                                              g


                                                                                                     a







 do peito,
O coração!



E o morro inteiro necessita de pre(c)ssa(e)...


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(Chuva no RIO)
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quarta-feira, 7 de abril de 2010

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A mulher quem sou
(Exorcisma)
É uma velha triste,
Chorona!
Que tenho pressa em fazê-la sorrir,
Para que ela não me espere amanhã
Em uma cadeira de balanço quebrada
E riso amargo
Culpando-me
De não fazê-la sorrir!
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Marluce Freire Nascasbez
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terça-feira, 6 de abril de 2010




Mendigos?



À noite ele encosta-se para dormir
Nos braços frios de ninguém
E puxa do saco o lençol maltrapilho
Que lhe cobre o coração do mesmo tecido...
E uma cadela rabugenta,
Andarilho de rua
Rouba-lhe um pedacinho dos trapos que lhe cobre o corpo
Para aquecer-se também!
E encobertos pelo mesmo lençol,
Misturando-se as carnes,
Esquentado as almas
Tocadas pelo simples carinho
De repartir o descanso,
De dividir o beijo da lua cheia
De vontade de estar entre os dois
Dividindo aquele céu!






Marluce Freire Nascasbez
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Rio seco!?
Cava-se uma cacimba,
Escoa-se a água salobra,
E a água doce
Mata a sede!
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Marluce Freire Nascasbez
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Se a rua,
A calçada,
Entrasse na casa de Lia,
Certamente compreenderia o porquê
Dela gostar tanto delas...

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Marluce Freire Nascasbez
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Marluce Freire Nascasbez
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segunda-feira, 5 de abril de 2010

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Quando o sol nunca se põe...
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O sertanejo anda solitário pelo sertão,
Põe seus olhos no sol
Que deposita seus raios melancólicos
No mato despido!
Entre o mato a seca brava castiga o sertão...
Seguido pelo eco de seus passos
Que são esmagados pelo vazio:

Um riacho sem água,

Uma árvore nua,

Um pássaro calado,

Um fruto morto,

Uma semente em pó, falecida sob o chão...

Um coração calejado, mas pulsa!
(Enigma da lei da subsistência)
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Entre o mato despido
O sol nunca se põe,
Cansado de amarelar as folhas da história
Das secas do meu sertão!






Marluce Freire Nascasbez
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Foto: Elisangela Medeiros
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Sendo ave




Quando ave,
 a minh’alma arrasta a asa
 pela liberdade,
 arrebatado  pelo voo
bate asas um eu
que escondo debaixo da asa,
 não por alvedrio...  ... talvez,  proteção
mas sendo ave,
alça voo asas mil
que mesmo atingidas pelas fagulhas de pólvoras,
não se intimida,
leva nas asas a pólvora,
o combustível que incendeia-me
quando  escrevo
sendo ave!
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Marluce Freire Nascasbez
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